Fonoaudióloga Ariane Bonucci alerta sobre prevenção para a saúde auditiva

Especialista em audiologia destaca a relevância de realizar exames auditivos precoces para combater o avanço da perda sonora

Nossa rotina virou uma sinfonia caótica de notificações, fones de ouvido no talo e trânsito barulhento. Quase sem perceber, fomos aceitando o barulho como parte da paisagem urbana e cultural moderna. Mas essa trilha sonora acelerada esconde um preço alto que a nossa saúde auditiva começa a cobrar muito cedo. Análises mostram que a perda auditiva deixou de ser um tema exclusivo da terceira idade para se tornar uma questão de comportamento e estilo de vida.

É o preço invisível da nossa hiperconexão diária

A fonoaudióloga Ariane Bonucci, especialista em Audiologia Clínica e sócia-fundadora do Espaço da Audição, atua na linha de frente para mudar a percepção sobre a saúde auditiva. Com 13 anos de atuação, ela nota que as pessoas costumam adiar a busca por ajuda até que o problema afete severamente a convivência. Aumentar o volume da TV ou pedir para repetir frases são alertas negligenciados. “Muitas pessoas só procuram ajuda quando a dificuldade para ouvir já compromete a comunicação e a qualidade de vida. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os resultados”, explica Ariane.

Ouvir bem não é apenas um sentido físico, é o fio invisível que nos conecta aos outros

Pense no sistema auditivo como um microfone de alta precisão de um estúdio de gravação profissional. Se você expõe esse equipamento sensível a picos constantes de sobrecarga sem manutenção, os componentes internos sofrem um desgaste irreversível. Cuidar da saúde auditiva exige a mesma calibragem preventiva e constante que damos aos nossos dispositivos mais valiosos.

O zumbido constante é o grito de socorro de um sistema que foi silenciado

O zumbido, aliás, é um dos sintomas mais intrigantes e frequentes reportados nos consultórios. Trata-se daquela percepção incômoda de chiados ou apitos sem uma fonte externa real. “O zumbido é a percepção de sons como chiados, apitos ou assobios sem que exista uma fonte sonora externa. Em cerca de 90% dos casos, ele está associado à perda auditiva, mas também pode estar relacionado ao estresse, à ansiedade, a alterações circulatórias, problemas na articulação da mandíbula, alimentação ou ao uso de determinados medicamentos”, esclarece a fonoaudióloga. Esse paradoxo mostra que o ouvido funciona como um termômetro da nossa saúde global.

Até 2026, projeções indicam que mais de 70% da população acima de 60 anos apresentará algum nível de alteração na audição, enquanto os casos entre jovens devem crescer 15% devido ao uso inadequado de fones. Criar uma cultura de check-up regular é urgente para evitar que esses números se transformem em uma crise silenciosa de saúde pública.

Cuidar da audição é preservar a integridade das nossas memórias e conexões mais profundas

“A audição nos conecta às pessoas, às emoções e aos momentos mais importantes da vida. Quando ela começa a falhar, muitas pessoas deixam de participar das conversas, evitam encontros familiares, enfrentam dificuldades no trabalho e acabam perdendo sua autonomia e confiança”, ressalta a profissional. No fim das contas, a escolha é simples. “A audição merece os mesmos cuidados dedicados à visão, ao coração e à saúde como um todo. Cuidar da audição é preservar a comunicação, a autonomia, o funcionamento saudável do cérebro e a qualidade de vida. Com opções cada vez mais acessíveis, cuidar da audição deixou de ser um privilégio. O que realmente pesa é perder conversas, oportunidades e momentos especiais por não buscar ajuda”, conclui a Dra. Ariane Bonucci.

ANALICE NICOLAU é jornalista com mais de 20 anos de carreira. No SBT, apresentou os principais telejornais da emissora e realizou sua transição de carreira para o universo digital em 2020, quando se especializou em Digital PR. Atualmente, é especialista sênior em SEO e E.E.A.T., além de atuar como Editora Executiva do portal The Date News. A jornalista e apresentadora se destaca por humanizar textos e desenvolver estratégias que transformam histórias em narrativas de autoridade, relevância e legado.

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